Filosofia da Arte. É do borogodó: (a) Receita de Mulher. Vinícius de Moraes

Fonte: É do borogodó: (a) Receita de Mulher

Filosofia da Arte. Vinícius de Moraes. Poesia

Munch

Munch

Soneto de Separação

Vinicius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Vinícius de Moraes . Operário em Construção

Filosofia da Arte. Música. Vinícius de Moraes e Toquinho

A Porta

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!

http://letras.mus.br/vinicius-de-moraes/87211/

FILOSOFIA DA ARTE. Natal. Vinícius de Moraes. O Poetinha.

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¨POEMA DE NATAL¨

VINÍCIUS DE MORAES

Para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados; para chorar e fazer chorar; para enterrar os nossos mortos.

Por isso temos braços longos, para os adeuses; mãos, para colher o que foi dado; dedos, para cavar a terra.

Assim será nossa vida: uma tarde sempre a esquecer; uma estrela a se apagar na treva; um caminho entre dois túmulos.

Por isso precisamos velar, falar baixo, pisar leve, ver a noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer: uma canção sobre um berço; um verso, talvez de amor; uma prece, por quem se vai.

Mas que essa hora não esqueça e por ela os nossos corações se entreguem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos: para a esperança no milagre; para a participação da poesia; para ver a face da morte.

De repente, nunca mais esperaremos…

Hoje a noite é jovem; da morte apenas nascemos, imensamente.

'O Poetinha'

‘O Poetinha’